Charles Chaplin











{Março 23, 2008}   O Jeca contra o tubarão

(depoimento exclusivo: Mazzaropi)
Jornal Movimento 5/4/76

Depoimento a Caco Barcelos

“Viram o Tubarão?

Me dá vontade de dar um soco nos beiços do bonecão quando ele aparece com aqueles dentão na tela. Por que nós não fizemos para o dinheiro ficar aqui mesmo?”

Os críticos de cinema dizem que ele é o representante do clássico provincialismo paulista; que ele é um tipo social mais antigo do que muitos que, antes dele, fizeram sucesso no gênero caipira, como Genésio Arruda dos anos 30 e mesmo Nhô Anastácio do início do século; que ele é em Chaplin brasileiro que manipula o arquiconhecido, que ele tem o dom de… e por aí afora. Leia o resto deste post »



{Março 23, 2008}   Agora vamos para Mazzaropi

No Brasil ” O Chaplin Caipira”



{Fevereiro 12, 2008}   Fonte site: www.vivacarlistos.com

9 de dezembro de 1997

Sátira de Chaplin não perde a atualidade

O Grande DitadorPode ser mentira, mas conta a lenda que Adolf Hitler gostava de assistir secretamente a O Grande Ditador. O führer divertia-se com a caricatura que Charles Chaplin fez de um ditador muito parecido com ele. Aliás, é impressionante como essas duas figuras opostas conseguiam ser tão parecidas, fisicamente. Hitler, o homem que levou o mundo à 2ª Guerra e foi o artífice do holocausto, responsável pela morte de 6 milhões de judeus, e Chaplin, o criador de Carlitos, um dos personagens mais ternos e gentis da história do cinema.

O Grande Ditador está saindo em vídeo pela Continental, empresa que tem em seu acervo verdadeiros clássicos da cinematografia universal. Em dezembro, a Continental promete colocar nas locadoras A Carroça Fantasma, do sueco Victor Sjostrom. À espera de A Carroça Fantasma, o público pode (re)ver antes O Grande Ditador. É uma das grandes sátiras políticas, talvez a maior, do cinema.

Na sua autobiografia, publicada em 1964, Chaplin afirma que se soubesse dos horrores que se perpetravam nos campos de concentração do nazismo não teria feito o filme – não conseguiria fazer graça à custa da demência homicida de uma ideologia tão voltada contra o ser humano. Chaplin começou a escrever o roteiro no princípio de 1939, com base numa idéia que lhe fora sugerida pelo produtor e diretor inglês Alexander Korda. Com base na semelhança física entre Chaplin e Hitler, Korda sugeriu ao grande artista que fizesse uma sátira de Hitler que girasse em torno de uma troca de identidade.

Chaplin sofreu muitas pressões e ameaças durante a rodagem. Grupos pró-nazistas ameaçavam jogar bombas nos cinemas onde o filme fosse exibido. Mas o autor não se deixou intimidar e concluiu a montagem no momento em que as tropas hitleristas invadiam a França. Chegou a dizer que projetaria o filme nem que tivesse de comprar um cinema e fosse o único espectador na sala. Lançado em Nova York, em outubro de 1940, O Grande Ditador não recebeu comentários muito entusiasmados e ainda irritou os isolacionistas, que queriam manter a neutralidade dos Estados Unidos na guerra que já se travava na Europa.

A polêmica social que Chaplin iniciou com Tempos Modernos se torna aqui política. Na história, Chaplin interpreta dois papéis: faz um barbeiro judeu e o ditador Hynkel. O barbeiro enamora-se de uma jovem, Hannah (Paulette Goddard), e tem de fugir das perseguições anti-semitas. O acaso faz com que ele, sósia do ditador, assuma o lugar desse último. Toda a ação cômica converge para o célebre discurso final, quando o barbeiro, travestido de ditador, faz um apelo ao pacifismo e ao humanismo. Chaplin, que havia resistido o quanto pôde ao advento do cinema sonoro, usa nessa cena a palavra para completar a expressão do homem.

Obra-prima – É emocionante. Num trecho dessa obra-prima do discurso universal, Chaplin diz: “O ódio dos homens passará, os ditadores morrerão e o poder que eles usurparam voltará ao povo. E, enquanto houver homens que saibam lutar por ela, a liberdade não morrerá.” A sátira é particularmente aguda e violenta contra Hitler, perseguidor dos judeus, mas a intenção é mais ampla: a defesa dos direitos humanos, do homem comum e humilde, que sempre foi Carlitos. É o primeiro filme em que Chaplin fala (após as frases sem sentido da música de Tempos Modernos) e o último em que aparece Carlitos – um Carlitos em processo de mudança. O barbeiro tem uma dimensão carlitiana, mas desapareceram as características externas do imortal vagabundo – as calças largas, os enormes sapatos e o andar típico.

No filme seguinte, Carlitos desaparece de vez e Chaplin metamorfoseia-se em M. Verdoux, o criminoso que está para ser executado enquanto a sociedade celebra a chacina da guerra sob o nome de heroísmo. Chaplin terá problemas, mais tarde, com o macarthismo por causa desses filmes. Tudo isso faz parte da história. Há momentos de O Grande Ditador que você vai ver com o botão de rewind na mão, para poder voltar atrás e rever a cena. O balé do ditador com o globo terrestre, tão marcante que foi usado como abertura da novela O Dono do Mundo, e a barba feita no cliente ao som da Dança Húngara, de Brahms. Dificilmente serão esquecidos – são momentos sublimes de uma das obras que o tempo consagrou entre as maiores de Chaplin.

Luiz Carlos Mertem 

 



{Janeiro 29, 2008}   Ele esteve no Brasil?

Quem tiver algum texto que possa me ajudar confirma que este vídeo é de quando ele esteve no Brasil! Eu agradeço imensamente! Leia o resto deste post »



{Janeiro 28, 2008}   Charles Chaplin em 3D

Belo trabalho e que deve ser divulgado! Leia o resto deste post »



Carlos Drummond de Andrade
Era preciso que um poeta brasileiro, não dos maiores, porém dos mais expostos à galhofa, girando um pouco em tua atmosfera ou nela aspirando a viver como na poética e essencial atmosfera dos sonhos lúcidos, era preciso que esse pequeno cantor teimoso, de ritmos elementares, vindo da cidadezinha do interior onde nem sempre se usa gravatas mas todos são extremamente polidos e a opressão é detestada, se bem que o heroísmo se banhe em ironia, era preciso que um antigo rapaz de vinte anos, preso à tua pantomima por filamentos de ternura e riso dispersos no tempo, viesse recompô-los e, homem maduro, te visitasse para dizer-te algumas coisas, sobcolor de poema.
Para dizer-te como os brasileiros te amam e que nisso, como em tudo mais, nossa gente se parece com qualquer gente do mundo – inclusive os pequenos judeus de bengalinha e chapéu-coco, sapatos compridos, olhos melancólicos,vagabundos que o mundo repeliu, mas zombam e vivem nos filmes, nas ruas tortas com tabuletas: Fábrica, Barbeiro, Polícia, e vencem a fome, iludem a brutalidade, prolongam o amor como um segredo dito no ouvido de um homem do povo caído na rua.
Bem sei que o discurso, acalanto burguês, não te envaidece, e costumas dormir enquanto os veementes inauguram estátua, e entre tantas palavras que como carros percorrem as ruas, só as mais humildes, de xingamento ou beijo, te penetram. Não é a saudação dos devotos nem dos partidários que te ofereço, eles não existem, mas a de homens comuns, numa cidade comum, nem faço muita questão da matéria de meu canto ora em torno de ti como um ramo de flores absurdas mando por via postal ao inventor dos jardins. Falam por mim os que estavam sujos de tristeza e feroz desgosto de tudo, que entraram no cinema com a aflição de ratos fugindo da vida, são duras horas de anestesia, ouçamos um pouco de música, visitemos no escuro as imagens – e te descobriram e salvaram-se.

Falam por mim os abandonados da justiça, os simples de coração, os parias, os falidos, os mutilados, os deficientes, os indecisos, os líricos, os cismarentos, os irresponsáveis, os pueris, os cariciosos, os loucos e os patéticos. E falam as flores que tanto amas quando pisadas, falam os tocos de vela, que comes na extrema penúria, falam a mesa, os botões, os instrumentos do ofício e as mil coisas aparentemente fechadas, cada troço, cada objeto do sótão, quanto mais obscuros mais falam.

A noite banha tua roupa. Mal a disfarças no colete mosqueado, no gelado peitilho de baile, de um impossível baile sem orquídeas. És condenado ao negro. Tuas calças confundem-se com a treva. Teus sapatos inchados, no escuro do beco, são cogumelos noturnos. A quase cartola, sol negro, cobre tudo isto, sem raios. Assim, noturno cidadão de uma república enlutada, surges a nossos olhos pessimistas, que te inspecionam e meditam:
Eis o tenebroso, o viúvo, o inconsolado, o corvo, o nunca-mais, o chegado muito tarde a um mundo muito velho.E a lua pousa em teu rosto. Branco, de morte caiado, que sepulcros evoca mas que hastes submarinas e álgidas e espelhos e lírios que o tirano decepou, e faces amortalhadas em farinha. O bigode negro cresce em ti como um aviso e logo se interrompe. É negro, curto, espesso.

O rosto branco, de lunar matéria, face cortada em lençol, risco na parede, caderno de infância, apenas imagem entretanto os olhos são profundos e a boca vem de longe, sozinha, experiente, calada vem a boca sorrir, aurora, para todos. E já não sentimos a noite, e a morte nos evita, e diminuímos como se ao contato de tua bengala mágica voltássemos ao país secreto onde dormem os meninos.
Já não é o escritório e mil fichas, nem a garagem, a universidade, o alarme, é realmente a rua abolida, lojas repletas, e vamos contigo arrebentar vidraças, e vamos jogar o guarda no chão, e na pessoa humana vamos redescobrir
aquele lugar – cuidado! – que atrai os pontapés: sentenças de uma justiça não oficial.
Cheio de sugestões alimentícias, matas a fome dos que não foram chamados à ceia celeste ou industrial. Há ossos, há pudins de gelatina e cereja e chocolate e nuvens nas dobras do teu casaco. Estão guardados para uma criança ou um cão. Pois bem conheces a importância da comida, o gosto da carne, o cheiro da sopa, a maciez amarela da batata,
e sabes a arte sutil de transformar em macarrão o humilde cordão de teus sapatos. Mais uma vez jantaste: a vida é boa. Cabe um cigarro: e o tiras da lata de sardinhas.
Não há muitos jantares no mundo, já sabias, e os mais belos frangos são protegidos em pratos chineses por vidros espessos. Há sempre o vidro, e não se quebra, há o aço, o amianto, a lei, há milícias inteiras protegendo o frango, e há uma fome que vem do Canadá, um vento, uma voz glacial, um sopro de inverno, uma folha baila indecisa e pousa em teu ombro: mensagem pálida que mal decifras o cristal infrangível. Entre a mão e a fome, os valos da lei, as léguas. Então te transformas tu mesmo no grande frango assado que flutua sobre todas as fomes, no ar; frango de ouro e chama, comida geral, que tarda.

O próprio ano novo tarda. E com ele as amadas. No festim solitário teus dons se aguçam. És espiritual e dançarino e fluido, mas ninguém virá aqui saber como amas com fervor de diamante e delicadeza de alva, como, por tua mão a cabana se faz lua.

Mundo de neve e sal, de gramofones roucos urrando onge o gozo de que não participas. Mundo fechado, que aprisiona as amadas e todo o desejo, na noite, de comunicação.Teu palácio se esvai, lambe-te o sono, ninguém te quis, todos possuem, tudo buscaste dar, não te tomaram.

Então encaminhas no gelo e rondas o grito. Mas não tens gula de festa, nem orgulho nem ferida nem raiva nem malícia.
És o próprio ano-bom, que te deténs. A casa passa correndo, os copos voam, os corpos saltam rápido, as amadas te procuram na noite… e não te vêem, tu pequeno, tu simples, tu qualquer. Ser tão sozinho em meio a tantos ombros, andar aos mil num corpo só, franzino, e ter braços enormes sobre as casas, ter um pé em Guerrero e outro no Texas, falar assim a chinês a maranhense, a russo, a negro: ser um só, de todos, sem palavra, sem filtro, sem opala:
há uma cidade em ti, que não sabemos.

Uma cega te ama. Os olhos abrem-se.
Não, não te ama. Um rico, em álcool, é teu amigo e lúcido repele tua riqueza. A confusão é nossa, que esquecemos
o que há de água, de sopro e de inocência no fundo de cada um de nós, terrestres. Mas, ó mitos que cultuamos, falsos: flores pardas, anjos desleais, cofres redondos, arquejos poéticos acadêmicos; convenções do branco, azul e roxo; maquinismos, telegramas em série, e fábricas e fábricas e fábricas de lâmpadas, proibições, auroras.

Ficaste apenas um operário comandado pela voz colérica do megafone. És parafuso, gesto, esgar. Recolho teus pedaços: ainda vibram, lagarto mutilado. Colo teus pedaços. Unidade estranha é a tua, em mundo assim pulverizado. E nós, que a cada passo nos cobrimos e nos despimos e nos mascaramos, mal retemos em ti o mesmo homem,aprendiz bombeiro caixeiro doceiro emigrante forçado maquinista noivo patinador soldado músico peregrino artista de circo marquês marinheiro carregador de piano apenas sempre entretanto tu mesmo, o que não está de acordo e é meigo, o incapaz de propriedade, o pé errante, a estrada fugindo, o amigo que desejaríamos reter na chuva, no espelho, na memória e todavia perdemos

Já não penso em ti. Penso no ofício a que te entregas. Estranho relojoeiro cheiras a peça desmontada: as molas unem-se, o tempo anda. És vidraceiro. Varres a rua. Não importa que o desejo de partir te roa; e a esquina faça de ti outro homem; e a lógica te afaste de seus frios privilégios. Há o trabalho em ti, mas caprichoso, mas benigno, e dele surgem artes não burguesas, produtos de ar e lágrimas, indumentos que nos dão asa ou pétalas, e trens e navios sem aço, onde os amigos fazendo roda viajam pelo tempo, livros se animam, quadros se conversam, e tudo libertado se resolve numa efusão de amor sem paga, e riso, e sol.

O ofício é o ofício que assim te põe no meio de nós todos, vagabundo entre dois horários; mão sabida no bater, no cortar, no fiar, no rebocar, o pé insiste em levar-te pelo mundo, a mão pega a ferramenta: é uma navalha, e ao compasso de Brahms fazes a barba neste salão desmemoriado no centro do mundo oprimido onde ao fim de tanto silêncio e oco te recobramos. Foi bom que te calasses.

Meditavas na sombra das chaves, das correntes, das roupas riscadas, das cercas de arame, juntavas palavras duras, pedras, cimento, bombas invectivas, anotavas com lápis secreto a morte de mil, a boca sangrenta de mil, os braços cruzados de mil. E nada dizias E um bolo, um engulho formando-se. E as palavras subindo. Ó palavras desmoralizadas, entretanto salvas, ditas de novo.

Poder da voz humana inventando novos vocábulos e dando sopros exaustos. Dignidade da boca, aberta em ira justa e amor profundo, crispação do ser humano, árvore irritada, contra a miséria e a fúria dos ditadores, ó Carlito, meu e nosso amigo, teus sapatos e teu bigode caminham numa estrada de pó e de esperança.

Fonte: http://www.casadobruxo.com.br/ilustres/chaplin8.htm



{Janeiro 18, 2008}   fotos

fonte:http://www.charliechaplin.com/en/articles/23

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etc.